CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores
Bem vindos aos contos das taberna

QUARTO EPISÓDIO: O CORAÇÃO CONGELADO.

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

E quem sabe aquilo fosse proibido para ele. Naquela noite, Jugo carregava consigo apenas um pequeno grupo de iniciados para a clareira. Enquanto a Ilha que abrigava os corvos era explorada, decidiram parar próximos ao cemitério, no extremo norte do local. O porquê? A história não era de terror, mas aquele lugar exemplificava o como ele se sentia. Os padres presos gritavam e rosnavam enquanto a fogueira era montada em um ponto mais distante. Cada um pegue seu queijinho, hoje é dia da gordice. Disse então o garoto brincando, onde ofereceu petiscos dentro de uma bolsa para os garotos. Alguns rostos já eram conhecidos pelo bardo, todavia outros passavam despercebidos diante seu fluxo de ideias para a história da noite. Aquele clima frio e o tempo parcialmente fechado traziam uma sensação de solidão que era preenchida a cada dia com o aproximar daquelas crianças. E então tudo aconteceu: sua mão fria me congelou e tudo o que eu tinha de valor ele arrancou. O Wakfu ao redor do ambiente do local começava a vibrar e quatro runas se acendiam sobre o huppermago. Suas mãos juntas carregavam uma grande quantidade de energia, esta que fazia a brisa quadrimental se mostrar acesa a ponto de gerar sutis ilusões e imagens logo acima de onde eles estavam.
Logo após saquear os Piratas para Bergue, descer as cordas de escalada e chegar até a aldeia soterrada, Jugo correu em direção ao seu destino. O auxílio de história dado por Padre Dobby fora o suficiente para que não se machucasse tanto naquela viagem. Árdua a sua primeira, ou talvez segunda luta contra Katia fora bem sucedida graças ao seu grupo. O Panda, a Cra e a Iop eram definitivamente seus braços a toda hora. Após a luta e de toda a despedida, sua aventura começou em direção ao castelo de Transpafrent. Após subir pelo barco flutuante o qual não conseguia nominar, na torre do castelo encontrava-se o lorde congelado, e tudo o que precisava fazer era descongelá-lo, porém algo deu errado. Ao tocar o gelo, uma aura temporal o sugou, levando-o diretamente para Dezist, e se tudo desse errado, queria ter desistido até de iniciar aquela aventura, visto que aquele lugar era odiado pelo garoto. Uma projeção de Transpafrent surgiu a sua frente com um sorriso estampado ao rosto sob a máscara sutilmente aberta. Não chegue perto de mim, jovem, ou se arrependerá. Citou o homem. Quando a aura explodiu e o mesmo desapareceu, criaturas começaram a sair da terra. Jugo se concentrou e explodiu o coração de fogo, destruindo cada uma das criaturas com a própria luz, mesmo que aquilo fosse cansativo. O flutuar o levava para perto de um castelo, e ele tinha noção que aquele era o castelo do Vampyro, ele odiava aquele lugar. De repente, um morto vivo surgiu por debaixo do garoto, puxando seu pé ao chão, e naquele instante ao cair, a flecha do cra cortou os ventos, acertando o membro da criatura e a incinerando. Está tudo bem? Perguntou o arqueiro, e naquele instante Jugo, pela primeira vez, não sabia o que responder. Não sendo acostumado a ser salvo, levantou-se e sorriu sem graça enquanto seu rosto avermelhado ficava. Você terá de passar pelo castelo também? Perguntou o Huppermago, e a confirmação com a cabeça fora o suficiente para que ambos se aventurassem juntos daquela vez.
A primeira sala era repleta de zumbis. Enquanto flechas neutras eram lançadas, o mago encantava as mesmas com fogo, aumentando seu poder e as tornando destrutivas. As criaturas padeciam com fogo e então a cada instante, chegavam mais próximos de seu destino. Na ala externa da sala principal, criaturas tentavam puxá-los para o precipício, e quem sabe, aquele fora o momento mais difícil da missão. Um morcego mordeu o braço do Cra e o puxou, Jugo por sua vez acertou contra a criatura uma rajada de gelo criada por um relógio, congelando-a e salvando temporariamente o garoto, apenas não esperava que, após a horda, o conde Transpafrent aparecesse. Em um tremular de ar, o homem reapareceu, enfiando a mão holográfica contra o peito de Jugo e lhe arrancando parte de seu espírito, em específico o seu coração. Seus olhos se arregalaram e seu corpo caia em dor, porém estava vivo. A tristeza súbita o tomou e, naquele dia, se viu destruído. As flechas do Cra atravessavam a projeção e nada acontecia. O conde ria e desaparecia gradualmente, deixando o coração em uma caixa e entregando para um Borcego, este que o levou até o Lorde do castelo. O cra, por sua vez levantou o garoto e, pelo mesmo lugar que entraram, eles saíram.
O destino dos dois? Calamar. O porquê? Iria descobrir. O cra ao descer do barco guiando o garoto o levou para uma ala subterrânea no local, era um QG do mesmo. Enquanto ele tentava descobrir como auxiliar o garoto naquele momento de fraqueza, Jugo permanecia inerte sem saber o que falar, porém nada sentia. Pela primeira vez, desde que sua mãe se foi pelas garras de Amilkar, estava recebendo algum tipo de cuidado. Seu corpo fervia, mas nada ele sentia, e então a coragem naquele coração vazio surgiu. Precisamos destruir o anel do conde, Cra. Agora. O loiro riu e pegou então um arco especial, e finalmente o ZAP para dezist fora pego. Riram no caminho, conversaram, trocaram empurrões e cócegas, e finalmente, mesmo sem um pedaço, Jugo se sentiu completo. Antes de entrar no Castelo, o Vampyro surgiu a sua porta. O Cra rapidamente se abaixou em um giro, puxando seu arco, raspando o chão e criando uma Flecha Destrutiva. Quando este lançou contra a criatura a mesma segurou com a canhota, enquanto a destra exibia a caixa com o coração de Jugo. O Huppermago mordeu o inferior, segurando então a mão do cra e se concentrando. O garoto ao entender a mensagem, repetiu o movimento, criando outra flecha destrutiva. Quando passou a mão ao solo, a energia quadrimental aqueceu sua mão, dando propriedades luminosas à flecha. Quando a mesma fora atirada, o corpo dos jovens fora lançado para trás diante poder, e quando o inimigo achou que iria segurar, a mesma o queimou, rompendo o anel e deixando que apenas um homem franzinho caísse ao chão, fraco e cansado. A caixa era avistada e, enquanto Jugo estava ofegante, o Cra a pegou. Abriu esta e enfiou o coração ao local em que o mesmo nunca deveria ter saído, e então, em fragmentos de luz, ele desapareceu, assim como todo o mundo ao redor de Jugo. Ao acordar, encontrava-se ao colo da Iop, enquanto o Panda fazia com que ele cheirasse um pano molhado com leite. Estonteado ele acordou e viu Katia destruída ao seu lado. O uso forte dos poderes havia o desacordado, e finalmente chegou em seu limite ao sonhar por duas horas seguidas. Sentou-se e olhou seus dedos, e então tampou o rosto. A runa de ar surgiu e assim seu corpo se fragmentou em luz, desaparecendo a vista de todos.
Ao topo do castelo de Transpafrent, observou o homem congelado e, podia jurar que o mesmo sorria. Naquele dia, lembrou que ainda podia sentir algo, mesmo que tudo o que lhe era valioso fosse roubado no passado, afinal, ele tinha um coração, e nele habitaria alguém sempre que iria preenche-lo. E fora assim que Jugo acabou por se apaixonar por uma ilusão, por um fragmento de felicidade, por um pedaço de si.

CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores

Bem vindos aos contos das taberna

PRIMEIRO EPISÓDIO: A PROTEÇÃO DO HUPPERMAGO

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

E certamente aquela não seria a ultima, e também a primeira não foi. Muitas vezes no passado as aventuras daqueles jovens aventureiros eram contadas, mesmo que por alto diante suas dificuldades e caminhos conturbados. Jugo caminhava vagarosamente dentre as trilhas da localidade da guilda, carregando em suas costas um grande cesto com pedaços de madeira empilhados, por sua vez, lenhas. Logo atrás, crianças e jovens cantando e dançando o seguiam exibindo um largo sorriso ao rosto: iriam pela primeira vez ouvir a canção do bardo. Ao chegarem a um ponto mais distante da mansão da guilda, montaram então seu acampamento. A fogueira fora acesa com uma runa. Assim não vale! Protestou uma pequena Sadida. Jugo sorriu enfim para as crianças ao notar o trabalho feito e decidiu iniciar então com aquela peça. (…) O crepúsculo da noite era cortado pelo calor da fogueira, e logo pontos brilhantes feitos unicamente de luz surgiam ao ar ainda que próximos ao solo, aquele era o poder do Huppermago.

A luz tomava formato e logo as runas eram marcadas, criando figuras, desenhos e trazendo a cada uma daquelas crianças, sensações as quais algumas já haviam vivido. Outrora protegido, perdido ao mar, a criança com a runa e a donzela do ar. (…).

Cansada deveras estava. O suor escorria ao rosto fino e alvo da mulher diante o deserto de Espetárdia. Cactos corriam ao lado de fora dos cercados enquanto a guarda do acampamento local se mantinha a postos para defender o mesmo de um ataque a qualquer o mento. O seu nome? Aether. O vestido longo e fino cobriam seu corpo enquanto uma espécie de grande mochila carregava não apenas seus pertences comuns, mas também a ânfora onde as cinzas de seu amado Sacrier foram depositadas. Aquilo lhe valia a vida. Atônita ao chegar à fonte do vilareijo, encheu seu cantil e bebeu da água, limpando do rosto o suor e então prosseguindo com sua missão: descobrir o paradeiro dos desaparecidos daquela vila.
Caminhou até a pousada do local onde fora atendida por uma senhora baixa. Seu olhar trazia fúria, cansaço, além de uma sede evidente por dinheiro. Bem vinda senhorita, no que posso ser útil? Disse a senhora que não tardou para receber a sua resposta. Um lugar pra ficar, um banho, jantar e informações sobre o paradeiro dessas pessoas. Pousou um folheto de desaparecidos sobre a mesa enquanto atônita a pequena senhora permaneceu. Você pode ajudar? Meu marido também se perdeu, e tudo o que nós sabemos é que todos sumiram ao tentar cuidar da maldição da fonte… A curiosidade de Aether fora maior do que sua fome naquele momento. Parou para escutar a senhora desde os detalhes mais irrelevantes até a informação de localização na qual daria a mesma a oportunidade de iniciar a sua busca.
As horas se passavam e o sol passava a se por, e se tinha algo em mente era que de noite as coisas eram mais perigosas, e com toda certeza, melhor de serem exploradas. Após o jantar, os kamas foram depositados a mesa da senhora. Sua destra a parou em um aviso com a própria noite ao deserto, mas escutar ela não quis, partindo ao desconhecido, este que habitava a Fonte de Espetárdia.
O primeiro passo daquela noite era sobreviver ao frio e às rajadas de vento que, a cada instante tornavam-se mais fortes. A mulher, concentrada, utilizava então da brisa quadrimental para acalmar os ventos ao seu redor, enquanto caminhava diante as nuvens de areia. Uma corda guiava pelo desfiladeiro e a ela se agarrou. Seguiu em passos ágeis por mais meia hora até, finalmente, após o precipício e a ossadas deterioradas, chegar a entrada da caverna. A noite a abraçava e a tocha era erguida ali dentro. O vento assoviava ao lado de fora e então, com passos firmes, abraçou o perigo. A runa roxa se acendia às suas costas clareando ainda mais o local. Os borcegos voavam para fora e o ar tornava-se mais úmido. Após um bom tempo no qual a escuridão e a atenção não deixaram a jovem contabilizar, uma luz fora vista: era o oasis no qual a senhora comentou. A luz em ouro cintilava em suas aguas puras e rasas, trazendo beleza e escondendo o perigo que o local trazia. Sacou um bastão e apagou a tocha, prendendo-a em suas costas para o caso de uma emergência. O lago fora observado de longe e, finalmente, o barulho do rolar de uma pedra. Aether virou-se agilmente erguendo o bastão e interceptando o golpe de um homem. Em sua testa, uma marca vermelha brilhava e esta em um olho holográfico surgiu ao meio do lago. O tentáculo pulou e exposto ele se manteve. Diante a distração, ela lançou-se para o lado e bateu na perna do inimigo com o bo, não tardou para que o mesmo reagisse e sacasse duas lâminas para o combate. O tentáculo se mexia de forma que poderia se prever quando o mesmo iria cair, e a guerreira rúnica não deixaria ser abatida daquela vez. A primeira investida do moreno fora dada e, no ultimo segundo, ela girou ao lado, fazendo com que o outro tropeçasse aos seus pés com uma pequena ajuda de seu calcanhar. Antes do homem encostar ao chão, o bo girou e atingiu sua coluna, empurrando-o ao solo com voracidade. Não se movia, estava desacordado. A guerreira então pulou para trás ao sentir o vento vibrar e o tentáculo envolveu o homem ao atingí-lo ao chão. A energia vermelha recarregava então aquele que estava fraco para que se repuzesse a batalha. Novamente, ela entrou em embate, desta vez indiretamente. Jogou-se ao lago e atingiu a base do mesmo com o bo, criando então sobre si quatro runas ao projetar a absorção elementar ao seu corpo. Após isso, uma forte flecha surgiu ao céu e caiu sobre o tentáculo, destruindo o mesmo em mil pedaços. Naquele instante, tudo ficou escuro, e novamente claro como a luz. Uma joia fora encontrada ao meio do oasis e então catada e guardada. As peças de ouro ao fundo brilhavam e desapareciam, e os pequenos bichos que tomaram conta da cidade passaram a tomar sua forma humanoide. Certamente, não seria nem a primeira nem a ultima vez que aquele tipo de coisa aconteceria, muito menos ali, mas ela estaria sempre pronta para outra.

O dia quase amanhecia para Aether e, a quantidade de pessoas salvas era descomunal. Para sua surpresa, um casal e uma criança surgiram gravemente feridos, entretanto o estado dos dois mais velhos era extremamente pior. Não falavam, apenas tinham o olhar de suplica para que o pequeno menino fosse cuidado. Sem nome, sem familia, apenas três anos, Aether o abraçou e o acolheu com sua luz, trazendo então essa clareza ao coração daquele que outrora fora engolido pelas sombras do inimigo, e então esse pequeno se chamou Jugo, o pequeno aprendiz de magia.


E assim veio a surgir uma familia para ele,
e então tudo sumiu: o desespero e a dor,
diante da aversão e do caos, um caminho ela criou,
e com todo o seu poder, ele recebeu o amor.

.

Jugo assim contou a sua história. Enquanto uns caiam ao sono, outros batiam palma entretidos e se colocavam ao dormir em suas barracas.
Na manhã seguinte, refletindo na história, em homenagem as suas mães nquele dia tão importante, as crianças passaram a plantar flores pelos jardins da guilda, trazendo beleza para que suas mães pudessem admirar, aquele era o minimo a se dar às mulheres fortes que os criaram, sejam sozinhas como a mãe do Huppermago ou com seu núcleo familiar – independentemente de sua formação. Aquele era o dia de comemorar pela pessoa mais importante para cada um deles, aquela que definitivamente não iria nunca deixá-los de lado ou os abandonar. Aquela fora a sua homenagem às mães.