CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores

Bem vindos aos contos das taberna

EPISÓDIO FINAL: O ULTIMO CONTO.

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

Fria deveras era a noite. Jugo vestia um casaco grande aveludado enquanto caminhava ao interior da taberna, esta noite repleta por adultos. Seu desejo intenso e sua sede o arrastaram diretamente ao balcão de bebidas, onde o leite fabricado pelos Pandawas lhe enchia o copo. Logo distante, Othello permanecia estático e sem expressão, afinal, era difícil evidenciar esta em uma máscara. O respirar profundo fora dado e o loiro não tardou para encarar aquele de cabelos avermelhados, quem sabe fosse a vez de sua história ser contada. Estalou os dedos ao ar e um fogo fátuo surgiu, no instante que o huppermago o tocou, um livro vermelho saiu de dentro daquele orbe de luz, assim como um tinteiro e uma pena, aquele seria o dia que a verdade viria a tona, aquela noite marcaria finalmente o começo de todas as histórias e, finalmente, a conclusão de grande parte das aventuras a serem registradas.
Brakmar, o ano? Sinceramente, não lembrava. Os orbes vermelhos do pequeno huppermago estavam virados para a mesa da taberna em Mordidaldeia, tão frequentada por arruaceiros que era de se manter surpresa como o Eniripsa, ou Fadinha, como alguns implicavam com o mesmo o chamavam. Jugo naquela época possuía então seus doze anos, contudo não era mais uma criança: amaldiçoado a reencarnar em um corpo sem esquecer suas memórias deixou o huppermago transtornado, e este era visível aos mais sensíveis, contudo grande parte do tempo oculto. Diante respirações fortes, a então criança não hesitava em virar aquele copo cheio de leite de bambu, assim como os adultos beberrões. Algo que o chamava a atenção era o como um determinado Zobal no local fingia que bebia, porém não abria parte da máscara para o mesmo, despejando a bebida então ao chão – dando mais trabalho até a Noa. Algo naquele homem era tão misterioso que chegava a se mostrar sombrio diante teu silêncio, este que era quebrado pela aura amistosa que o Zobal possuía, deveras um paradoxo ambulante. O menor se levantou e olhou para cima ao encarar o Eniripsa a limpar o lugar. Um, dois, três passos largos e, finalmente um toque ao joelho do outro que estava sentado, aquilo fora o suficiente para levar um tapa ao rosto. O silêncio ecoou e o sorriso largo surgiu ao rosto de Jugo. Quando o garoto pensou em reagir, um grupo de mercenários invadiu a taberna apontando então uma espada estranha para alguns dos membros. Jugo e Othello foram pegos em cheio pelo olhar da Lâmina Shushu, e se pudesse batizá-la chamaria a mesma de Lete, a lâmina do esquecimento.
Conforme abria os olhos, via-se em uma esfera vermelha brilhante e, ao seu lado, o Zobal com sua máscara trincada, ao piscar a imagem havia mudado e não tardou para entender o que acontecia. As memórias que possuía acabavam por se sincronizar com as do Zobal dentro da lâmina, este motivo deixava o garoto ver a rebeldia do mesmo ao se tornar um guerreiro de Sadida. O inferior fora mordido e, na terceira piscada, viu-se em outro plano. O local? Brakmar. Era dia de competição e o torneio de duelos se daria próximo ao antro de Paparog. A arena suspensa por correntes chamava a atenção assim como a grande torcida que surgia e ocupava as cadeiras. Enquanto os encarnados surgiam por todos os cantos, um Sacrier chamava a atenção, sem nome, sem passado, era de se ver apenas o desejo por ganhar a luta. O primeiro soco fora certeiro ao seu rosto, e seu sangue ao espirrar se transformava em agulhas, perfurando os músculos do grande Iop que havia o atacado. O sacrier partia para cima e estalando seu sangue criava um chicote conforme atravessava o campo e batia em todos os oponentes em uma velocidade surpreendente. O que Jugo não esperava era que ele corria em sua direção. Uma pedra caiu a sua cabeça e, finalmente notou que sentiria o impacto caso fosse acertado. Convocou aos ventos uma runa de ar e, quando o garoto passou, teleportou-se alguns metros ao lado fugindo então do ataque certeiro. Quando se deu conta, o campo virava de cabeça para baixo e as visões ao seu lado desapareciam, levando-o a um campo verde e repleto de árvores, onde via então o Sacrier com uma Eniripsa. Os lábios finos da mesma tocavam o dele, pensou então ser uma cena romântica, até ver a espada Shushu cravar o corpo dos dois garotos. A eni imediatamente padeceu, o Sacrier permaneceu a sangrar e, mesmo com a espada cravada, deu-se a caminhar, deixando o corpo de sua amada para trás. O mercenário ria enquanto saqueava o corpo desfalecido, abandonando sua arma. Conforme o ferido caminhava, o sangue deixado para trás fervia e evaporava. O caminhar de dor pela sua impotência de não conseguir agir ao pânico que o rondou o levou até uma floresta. Borboletas brilhantes então surgiram e mudaram a visão de Jugo, onde este observou o garoto ajoelhar-se a frente de uma imagem de Sadida e então recebendo dos céus uma máscara. Quando entendeu o que acontecia e viu que estava nas memórias mais antigas do Zobal, entendeu que o mesmo provavelmente estaria nas próprias. Balançou a cabeça, girou, se beliscou, contudo não acordava, foi então que caminhou até o Zobal e o abraçou sem pensar duas vezes, naquele momento as memórias entraram em conflito e, em uma explosão, os garotos foram jogados para fora da lâmina. O Ladino permanecia montado a um papatudo de guerra, provavelmente estavam em Amakna e a reação não poderia ser demorada. Atirou contra o homem duas bolas de fogo enquanto o mesmo tentava escapar montado. O ladino tombou ao lado, porém se levantou e armou combate, tão ágil que não pôde ver a bala atravessar seu braço, e finalmente as correntes de fogo cercaram o inimigo. Jugo caia ajoelhado de dor enquanto o Zobal entrava em batalha. Os movimentos ágeis faziam com que os chicotes flamejantes castigassem o inimigo sem deixar que o mesmo reagisse, deixando em seu corpo apenas as roupas chamuscadas, enquanto as feridas provavelmente não se cicatrizariam. O Ladino? Morto. O Zobal? Em choque.
Os passos então vagarosos foram dados até o mesmo e, finalmente, um abraço verdadeiro fora o dado. Ele não reagiu, mas também não empurrou o pequeno. Naquele dia, havia descoberto o que estava sob a sua máscara, assim como ele sabia o que aquele pequeno coração carregava.
O livro então carregava a verdade, e finalmente ao ser completado, incinerado ele foi. As crianças não precisavam saber de tudo, certamente. Sorriu por fim ao Zobal e se retirou para dormir, aquela noite fora cansativa para a cabeça de Jugo, contudo as lembranças tão boas permaneceriam ao seu coração, e nunca se esqueceria de seu primeiro abraço e, é claro, seu primeiro tapa.

CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores
Bem vindos aos contos das taberna

QUARTO EPISÓDIO: O CORAÇÃO CONGELADO.

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

E quem sabe aquilo fosse proibido para ele. Naquela noite, Jugo carregava consigo apenas um pequeno grupo de iniciados para a clareira. Enquanto a Ilha que abrigava os corvos era explorada, decidiram parar próximos ao cemitério, no extremo norte do local. O porquê? A história não era de terror, mas aquele lugar exemplificava o como ele se sentia. Os padres presos gritavam e rosnavam enquanto a fogueira era montada em um ponto mais distante. Cada um pegue seu queijinho, hoje é dia da gordice. Disse então o garoto brincando, onde ofereceu petiscos dentro de uma bolsa para os garotos. Alguns rostos já eram conhecidos pelo bardo, todavia outros passavam despercebidos diante seu fluxo de ideias para a história da noite. Aquele clima frio e o tempo parcialmente fechado traziam uma sensação de solidão que era preenchida a cada dia com o aproximar daquelas crianças. E então tudo aconteceu: sua mão fria me congelou e tudo o que eu tinha de valor ele arrancou. O Wakfu ao redor do ambiente do local começava a vibrar e quatro runas se acendiam sobre o huppermago. Suas mãos juntas carregavam uma grande quantidade de energia, esta que fazia a brisa quadrimental se mostrar acesa a ponto de gerar sutis ilusões e imagens logo acima de onde eles estavam.
Logo após saquear os Piratas para Bergue, descer as cordas de escalada e chegar até a aldeia soterrada, Jugo correu em direção ao seu destino. O auxílio de história dado por Padre Dobby fora o suficiente para que não se machucasse tanto naquela viagem. Árdua a sua primeira, ou talvez segunda luta contra Katia fora bem sucedida graças ao seu grupo. O Panda, a Cra e a Iop eram definitivamente seus braços a toda hora. Após a luta e de toda a despedida, sua aventura começou em direção ao castelo de Transpafrent. Após subir pelo barco flutuante o qual não conseguia nominar, na torre do castelo encontrava-se o lorde congelado, e tudo o que precisava fazer era descongelá-lo, porém algo deu errado. Ao tocar o gelo, uma aura temporal o sugou, levando-o diretamente para Dezist, e se tudo desse errado, queria ter desistido até de iniciar aquela aventura, visto que aquele lugar era odiado pelo garoto. Uma projeção de Transpafrent surgiu a sua frente com um sorriso estampado ao rosto sob a máscara sutilmente aberta. Não chegue perto de mim, jovem, ou se arrependerá. Citou o homem. Quando a aura explodiu e o mesmo desapareceu, criaturas começaram a sair da terra. Jugo se concentrou e explodiu o coração de fogo, destruindo cada uma das criaturas com a própria luz, mesmo que aquilo fosse cansativo. O flutuar o levava para perto de um castelo, e ele tinha noção que aquele era o castelo do Vampyro, ele odiava aquele lugar. De repente, um morto vivo surgiu por debaixo do garoto, puxando seu pé ao chão, e naquele instante ao cair, a flecha do cra cortou os ventos, acertando o membro da criatura e a incinerando. Está tudo bem? Perguntou o arqueiro, e naquele instante Jugo, pela primeira vez, não sabia o que responder. Não sendo acostumado a ser salvo, levantou-se e sorriu sem graça enquanto seu rosto avermelhado ficava. Você terá de passar pelo castelo também? Perguntou o Huppermago, e a confirmação com a cabeça fora o suficiente para que ambos se aventurassem juntos daquela vez.
A primeira sala era repleta de zumbis. Enquanto flechas neutras eram lançadas, o mago encantava as mesmas com fogo, aumentando seu poder e as tornando destrutivas. As criaturas padeciam com fogo e então a cada instante, chegavam mais próximos de seu destino. Na ala externa da sala principal, criaturas tentavam puxá-los para o precipício, e quem sabe, aquele fora o momento mais difícil da missão. Um morcego mordeu o braço do Cra e o puxou, Jugo por sua vez acertou contra a criatura uma rajada de gelo criada por um relógio, congelando-a e salvando temporariamente o garoto, apenas não esperava que, após a horda, o conde Transpafrent aparecesse. Em um tremular de ar, o homem reapareceu, enfiando a mão holográfica contra o peito de Jugo e lhe arrancando parte de seu espírito, em específico o seu coração. Seus olhos se arregalaram e seu corpo caia em dor, porém estava vivo. A tristeza súbita o tomou e, naquele dia, se viu destruído. As flechas do Cra atravessavam a projeção e nada acontecia. O conde ria e desaparecia gradualmente, deixando o coração em uma caixa e entregando para um Borcego, este que o levou até o Lorde do castelo. O cra, por sua vez levantou o garoto e, pelo mesmo lugar que entraram, eles saíram.
O destino dos dois? Calamar. O porquê? Iria descobrir. O cra ao descer do barco guiando o garoto o levou para uma ala subterrânea no local, era um QG do mesmo. Enquanto ele tentava descobrir como auxiliar o garoto naquele momento de fraqueza, Jugo permanecia inerte sem saber o que falar, porém nada sentia. Pela primeira vez, desde que sua mãe se foi pelas garras de Amilkar, estava recebendo algum tipo de cuidado. Seu corpo fervia, mas nada ele sentia, e então a coragem naquele coração vazio surgiu. Precisamos destruir o anel do conde, Cra. Agora. O loiro riu e pegou então um arco especial, e finalmente o ZAP para dezist fora pego. Riram no caminho, conversaram, trocaram empurrões e cócegas, e finalmente, mesmo sem um pedaço, Jugo se sentiu completo. Antes de entrar no Castelo, o Vampyro surgiu a sua porta. O Cra rapidamente se abaixou em um giro, puxando seu arco, raspando o chão e criando uma Flecha Destrutiva. Quando este lançou contra a criatura a mesma segurou com a canhota, enquanto a destra exibia a caixa com o coração de Jugo. O Huppermago mordeu o inferior, segurando então a mão do cra e se concentrando. O garoto ao entender a mensagem, repetiu o movimento, criando outra flecha destrutiva. Quando passou a mão ao solo, a energia quadrimental aqueceu sua mão, dando propriedades luminosas à flecha. Quando a mesma fora atirada, o corpo dos jovens fora lançado para trás diante poder, e quando o inimigo achou que iria segurar, a mesma o queimou, rompendo o anel e deixando que apenas um homem franzinho caísse ao chão, fraco e cansado. A caixa era avistada e, enquanto Jugo estava ofegante, o Cra a pegou. Abriu esta e enfiou o coração ao local em que o mesmo nunca deveria ter saído, e então, em fragmentos de luz, ele desapareceu, assim como todo o mundo ao redor de Jugo. Ao acordar, encontrava-se ao colo da Iop, enquanto o Panda fazia com que ele cheirasse um pano molhado com leite. Estonteado ele acordou e viu Katia destruída ao seu lado. O uso forte dos poderes havia o desacordado, e finalmente chegou em seu limite ao sonhar por duas horas seguidas. Sentou-se e olhou seus dedos, e então tampou o rosto. A runa de ar surgiu e assim seu corpo se fragmentou em luz, desaparecendo a vista de todos.
Ao topo do castelo de Transpafrent, observou o homem congelado e, podia jurar que o mesmo sorria. Naquele dia, lembrou que ainda podia sentir algo, mesmo que tudo o que lhe era valioso fosse roubado no passado, afinal, ele tinha um coração, e nele habitaria alguém sempre que iria preenche-lo. E fora assim que Jugo acabou por se apaixonar por uma ilusão, por um fragmento de felicidade, por um pedaço de si.

CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores

Bem vindos aos contos das taberna

TERCEIRO EPISÓDIO: A FLECHA DA CRA.

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

Os crocodilos cercavam a jovem que, com força, segurava o arco. Enquanto aquelas criaturas carregavam âncoras, os dedos da moça puxavam sutilmente flechas avermelhadas de sua aljava. Enquanto isso, a suas costas, uma Osamodas e uma Eniripsa permaneciam inconscientes, aquela era a chance da Cra de mudar a sua vida. O seu nome? (…)

Feyris? Feyris! Acorde! – Disse o Huppermago com um sutil sorriso ao canto do rosto. A Cra possuía seus dezesseis para dezessete, enquanto a criança apenas seus nove. – Jugo, para… – Disse em resmungos enquanto se virava na coberta. O garoto por sua vez não perdeu tempo, foi até a cozinha do chalé, pegou um balde de água e jogou na garota – ACORDA MARCELINA, NÃO GOSTA DE TOMAR BANHO, TOMARÁ AGORA! – Exclamou rindo consigo mesmo. O olhar flamejante fora lançado ao garoto que, imediatamente, fugiu do quarto.
Feyris estava a cuidar naquele dia de Jugo, visto que a mulher que outrora o adotou simplesmente desapareceu. A Cra por sua vez, conhecendo a história da moça decidiu tomar a criança aos seus braços, mesmo que temporariamente. Jugo, ao contrário do esperado, não estava triste, afinal, esperava ele pela volta daquela que o cuidou a cada dia, sem desistir ou perder as esperanças. O que ele não sabia era que aquele seria o ultimo dia da mesma.
A missão fora tomada, Feyris em meio aos Crá’s era conhecida como “A Rastreadora”, e a retribuir um favor, estaria ela a procurar a Huppermaga, uma das poucas de sua espécie assim como Jugo. A ultima pista encontrada fora a do Reino Sadida, e aquela explicava o motivo de ambos estarem naquele chalé. Onde Aether fora vista pela ultima vez? Próxima a Caverna de Amilkar, o Mulobo. Equipada com seu arco e vestimentas para caça, a jovem então pediu que Jugo permanecesse em casa até a noite, e naquele instante ela partiu. Ao assentir à donzela, o garoto retirou as mãos com os dedos cruzados em suas costas e passou a se arrumar. Colocou em sua cabeça uma pequena flor e vestiu-se com um sobretudo encapuzado escuro como a noite. Sutil? Seria, se não fosse dia. Cinco minutos depois que a garota partiu, o menor correu atrás de seu fino rastro deixado pelo dragocorcéu da jovem. Não tardou para que a floresta fosse alcançada e o rastro perdido. Jugo então pensou em procurar de uma forma diferente, quem sabe nos locais mais perigosos que pudesse, afinal, sabia que Aether gostava de encrenca, e mais, sabia que Feyris estava louca para se livrar da criança.
Enquanto o jovem procurava, a maior continuava sua jornada até alcançar a entrada da caverna da criatura. A noite começava a cair e via então que tinha pouco tempo. Adentrou-se ao local e, tudo o que viu fora o corpo da mulher delacerado ao canto e a criatura com seus orbes brilhantes e famintos. Fora da lua cheia? Pensou, e então os restos de um hidrante atrás da criatura foram detectados. Transpafrent… A Cra sacou a flecha e atirou uma explosiva contra a criatura. Quando a flecha fora acertar a mesma, sua velocidade se reduziu, e então o relógio do Xelor aparecia gravado a criatura: tudo ao redor da mesma em um alcance de um metro entrava em lentidão. O corpo do monstro se contorcia e maior ele ficava, entrando em seu estado de fúria. Feyris sacou seus dispositivos que formavam balizas e lançou-as ao campo, se não agisse rápido, poderia se prejudicar ainda mais, afinal, sozinha estava.
Jugo então perguntava aos Sadidas do local onde encontraria o Milobo. Muitas vezes a informação lhe fora negada, contudo um homem bêbado acabou por dar a informação para o garoto. Diante a corrida apressada, ao encontrar o local pôde ver Feyris pulando e atirando contra a criatura que, ferozmente a perseguia. O menor então entrou na caverna e, ao atravessar a primeira passagem que não tão longe ficava da entrada, viu melhor o salão no qual a arqueira lutava, não apenas isso, mas também o corpo de sua mãe. Os olhos da criança se arregalaram e então se tornaram brancos. O que estava acontecendo? Nem mesmo ele sabia. Feyris ao se distrair com o pequeno, levou uma patada que quebrou o seu arco, lançando-a para trás. O Mulobo então atacou a criança. Quando ela gritou, as garras da criatura chegaram ao alcance de Jugo, acertando então… O nada. O garoto recebeu uma runa de Ar e uma de Água a sua cabeça, teleportando-se para trás da criatura. Naquele instante, suas mãos se ergueram para cima, convocando então um relógio similar aos destroços deixados na sala, e fora uma rajada deste que desacelerou o monstro. Feyris utilizou de seu próprio Wakfu para criar um arco de pura energia, raspando os indicadores ao solo e absorvendo então parte da energia daquele lugar. A flecha puxada finalmente se tornou verde, e quando a mesma fora lançada, Jugo apareceu atrás da jovem. O caminho do projétil não demorou para ser encontrado e, finalmente, a criatura fora explodida em destroços de terra.
A Cra observou os olhos da criança voltarem ao normal e então o corpo largado e deformado. Faixas foram tiradas da bolsa e a mortalha da mulher enrolada e, naquele mesmo local queimada. Jugo havia perdido as esperanças pela primeira vez, e finalmente, quando achou que tudo estava perdido, recebeu ele um abraço. A dor se amenizava em seu coração enquanto as lágrimas percorriam seu rosto, estava ele cansado e precisava dormir. Com a Cra ele provavelmente não ficaria, mas estaria grato por ter descoberto a verdade.(…)

A flecha explosiva acertou o primeiro crocodilo. Uma luz, então atrás do mesmo surgiu com duas runas gravadas circulando o mesmo. O segundo crocodilo fora rápido e acertou a garota, empurrando-a para trás. Como se não fosse o suficiente, o mesmo pulou contra ela, pronto para acertar um golpe em sua cabeça. Naquele instante, o fogo fátuo foi consumido, trocando de local com Jugo, o Huppermago. Imediatamente o garoto agora com seus dezessete, se teleportou para a frente da garota ativando o escudo produzido totalmente pela brisa quadrimental. O ataque do inimigo fora absorvido e, Feyris viu sua brecha. Enquanto o monstro se via desnorteado, a explosiva corria em sua direção, transformando então aquele corpo com vida apenas em uma carcaça. Bolsa de crocodilo? Certamente usariam. Os sorrisos foram trocados e, finalmente cada um pegou o seu caminho. Ela? Caçar com os lobos certamente iria, enquanto o jovem Huppermago permaneceria voar com os seus queridos Corvos.

CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores

Bem vindos aos contos das taberna

SEGUNDO EPISÓDIO: A DANÇA DA FECA

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

YOU BEEN A BAD, BAD BOY, I’M GONNA TAKE MY TIME SO ENJOY. O andar suave da morena chamava a atenção enquanto o olhar do Ladino a perseguia. Onde estavam? Certamente em um bar próximo ao litoral de Brakmar. Moluscos caminhavam pela praia e os passaros tomavam seus galhos naquela noite. A morena subia ao palco então daquela taberna e sussurrava com sua voz melódica ao seu público enquanto a brisa morna acariciava sua fina pele. Os fios negros caiam sobre os olhos azuis, este que reluziam como o céu aberto. Dentre seus sorrisos e diante seu tão intenso charme, ela proferiu: Obrigado pela visita, cavalheiros. A musica começou a tocar no piano enquanto seu vestido petalado curto subia sutilmente, exibindo tão alvas, robustas e longas pernas. O olhar do ladino não parava de segui-la em momento algum, e então Kamas foram jogados ao palco. Ela se virou e escorreu a alça da veste sobre o ombro, exibindo este desnudo. Os olhos do mancebo flamejaram e, por um momento, nada mais na mente dele passou: tudo o que ele queria era aquela mulher. E então a história de Caliente e Mayuri se deu início.
Os minutos se passavam assim como a apresentação da figura. Ao deixar seu vestido cair, seu corpo estava coberto por um maiô de praia tão azul quanto seus orbes. A cortina se fechou com o findar da música e então ao fundo do palco ela entrou. Caliente, por sua vez, não tardou para agir. O Ladino se levantou e caminhou agilmente dentre a lateral do palco, pagando os seguranças e acessando então o camarim da garota, todavia o que ele viu não era o que desejava. Atrás do palco, um pequeno grupo de garotas em condições precárias se alojava, enquanto até mesmo a sua sala para preparo se mostrava decadente. Mayuri acabava por tirar a maquiagem excessiva do rosto e seus olhos avermelhados por lágrimas e sua pele sutilmente roxa exibiam traços de agressão. Quem sabe, a injustiça com alguém o qual pouco prezava o incomodava. Um homem alto então surgiu por trás do ladino, era então o dono daquele lugar. Duzentos kamas e ela é sua por duas horas. Retrucou. Era obvio que estavam naquele lugar contra a sua vontade. O olhar de assustada da jovem era evidente, contudo a sua coragem para encarar o perigo, o que fosse para proteger as outras também podia ser vista. O corvo então respirou e tirou de seu bolso um kama, depositando sobre a mão do homem: Cinco minutos, apenas quero o nome dela. Ele gargalhou e empurrou o garoto para dentro da sala, saindo logo em seguida. Caliente não tardou ao falar com a garota: Não sei seu nome, não me importa. Cinco minutos, arrume tudo. O olhar dela se estremceu, mas a confiança ao corvo fora depositada. Depois de tanto tempo presa, sendo utilizada como uma escrava, uma empregada e, vez ou outra, até mesmo como coisa pior nas mãos daquele porco. O sorriso de canto logo desapareceu e, assim que ele saiu da sala, todas as garotas arrumaram bolsas de plastico, sem excessão. Ao sair do estabelecimento, o moreno retirou de sua blusa um detonador, e em todo aquele momento no qual estava a conversar com a garota, a escutar sua musica e ao sentir seu sofrimento, mesmo sem comentar, seu pequeno LadinoBot havia implantado bombas em todos os pilares daquele local. Caliente parou na esquina então  viu a primeira parede ceder. As pessoas corriam e a Feca não ficou para trás. De imediato a garota correu levando as outras dando então prioridade a elas. Ela ria diante o perigo e estava deveras feliz por estar ajudando. Quando sua vez de sair chegou, o homem a segurou. Naquele instante, pensou Caliente em intervir, entretando a garota sabia se defender. O escudo de feca ao seu peito brilhou e seu corpo fora revestido por uma armadura multicolorida. Naquele instante, um soco fora dado contra o maior, empurrando-o para trás temporariamente. A armadura se dissolveu e logo ela correu sem olhar para trás. As demais paredes do bar desabaram e então o lugar sumiu em pó (…).
Instantes depois, a mão do homem surgiu diante os descombros empurrando a parte maior e seu corpo se tomou pela aura demoníaca de um Shushu. Fraca momentaneamente, não sabia ela o que fazer, até receber seu surto de energia. Feca não a abandonaria. Com o poder do próprio Wakfu, seu corpo se revestiu em auras e o chão fora glifado ao redor de todo o local. Runas de água, fogo e terra surgiam e, finalmente seu efeito surgiu. A água congelou e o enraizou, e logo em seguida o escudo a sua anhota criou uma espécie de chicote verde, cortando a perola Shushu a testa do maior, derrubando-o.
Ao encontrar o garoto, Mayuri o agradeceu, todavia sem rumo, mais uma vez o destino a extendeu a mão. A pena de um Corvo fora dada a sua mão e então o corvo negro abraçou a sua causa. Naquele dia, a garota se tornou um Corvo de Efrim.

CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores

Bem vindos aos contos das taberna

PRIMEIRO EPISÓDIO: A PROTEÇÃO DO HUPPERMAGO

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

E certamente aquela não seria a ultima, e também a primeira não foi. Muitas vezes no passado as aventuras daqueles jovens aventureiros eram contadas, mesmo que por alto diante suas dificuldades e caminhos conturbados. Jugo caminhava vagarosamente dentre as trilhas da localidade da guilda, carregando em suas costas um grande cesto com pedaços de madeira empilhados, por sua vez, lenhas. Logo atrás, crianças e jovens cantando e dançando o seguiam exibindo um largo sorriso ao rosto: iriam pela primeira vez ouvir a canção do bardo. Ao chegarem a um ponto mais distante da mansão da guilda, montaram então seu acampamento. A fogueira fora acesa com uma runa. Assim não vale! Protestou uma pequena Sadida. Jugo sorriu enfim para as crianças ao notar o trabalho feito e decidiu iniciar então com aquela peça. (…) O crepúsculo da noite era cortado pelo calor da fogueira, e logo pontos brilhantes feitos unicamente de luz surgiam ao ar ainda que próximos ao solo, aquele era o poder do Huppermago.

A luz tomava formato e logo as runas eram marcadas, criando figuras, desenhos e trazendo a cada uma daquelas crianças, sensações as quais algumas já haviam vivido. Outrora protegido, perdido ao mar, a criança com a runa e a donzela do ar. (…).

Cansada deveras estava. O suor escorria ao rosto fino e alvo da mulher diante o deserto de Espetárdia. Cactos corriam ao lado de fora dos cercados enquanto a guarda do acampamento local se mantinha a postos para defender o mesmo de um ataque a qualquer o mento. O seu nome? Aether. O vestido longo e fino cobriam seu corpo enquanto uma espécie de grande mochila carregava não apenas seus pertences comuns, mas também a ânfora onde as cinzas de seu amado Sacrier foram depositadas. Aquilo lhe valia a vida. Atônita ao chegar à fonte do vilareijo, encheu seu cantil e bebeu da água, limpando do rosto o suor e então prosseguindo com sua missão: descobrir o paradeiro dos desaparecidos daquela vila.
Caminhou até a pousada do local onde fora atendida por uma senhora baixa. Seu olhar trazia fúria, cansaço, além de uma sede evidente por dinheiro. Bem vinda senhorita, no que posso ser útil? Disse a senhora que não tardou para receber a sua resposta. Um lugar pra ficar, um banho, jantar e informações sobre o paradeiro dessas pessoas. Pousou um folheto de desaparecidos sobre a mesa enquanto atônita a pequena senhora permaneceu. Você pode ajudar? Meu marido também se perdeu, e tudo o que nós sabemos é que todos sumiram ao tentar cuidar da maldição da fonte… A curiosidade de Aether fora maior do que sua fome naquele momento. Parou para escutar a senhora desde os detalhes mais irrelevantes até a informação de localização na qual daria a mesma a oportunidade de iniciar a sua busca.
As horas se passavam e o sol passava a se por, e se tinha algo em mente era que de noite as coisas eram mais perigosas, e com toda certeza, melhor de serem exploradas. Após o jantar, os kamas foram depositados a mesa da senhora. Sua destra a parou em um aviso com a própria noite ao deserto, mas escutar ela não quis, partindo ao desconhecido, este que habitava a Fonte de Espetárdia.
O primeiro passo daquela noite era sobreviver ao frio e às rajadas de vento que, a cada instante tornavam-se mais fortes. A mulher, concentrada, utilizava então da brisa quadrimental para acalmar os ventos ao seu redor, enquanto caminhava diante as nuvens de areia. Uma corda guiava pelo desfiladeiro e a ela se agarrou. Seguiu em passos ágeis por mais meia hora até, finalmente, após o precipício e a ossadas deterioradas, chegar a entrada da caverna. A noite a abraçava e a tocha era erguida ali dentro. O vento assoviava ao lado de fora e então, com passos firmes, abraçou o perigo. A runa roxa se acendia às suas costas clareando ainda mais o local. Os borcegos voavam para fora e o ar tornava-se mais úmido. Após um bom tempo no qual a escuridão e a atenção não deixaram a jovem contabilizar, uma luz fora vista: era o oasis no qual a senhora comentou. A luz em ouro cintilava em suas aguas puras e rasas, trazendo beleza e escondendo o perigo que o local trazia. Sacou um bastão e apagou a tocha, prendendo-a em suas costas para o caso de uma emergência. O lago fora observado de longe e, finalmente, o barulho do rolar de uma pedra. Aether virou-se agilmente erguendo o bastão e interceptando o golpe de um homem. Em sua testa, uma marca vermelha brilhava e esta em um olho holográfico surgiu ao meio do lago. O tentáculo pulou e exposto ele se manteve. Diante a distração, ela lançou-se para o lado e bateu na perna do inimigo com o bo, não tardou para que o mesmo reagisse e sacasse duas lâminas para o combate. O tentáculo se mexia de forma que poderia se prever quando o mesmo iria cair, e a guerreira rúnica não deixaria ser abatida daquela vez. A primeira investida do moreno fora dada e, no ultimo segundo, ela girou ao lado, fazendo com que o outro tropeçasse aos seus pés com uma pequena ajuda de seu calcanhar. Antes do homem encostar ao chão, o bo girou e atingiu sua coluna, empurrando-o ao solo com voracidade. Não se movia, estava desacordado. A guerreira então pulou para trás ao sentir o vento vibrar e o tentáculo envolveu o homem ao atingí-lo ao chão. A energia vermelha recarregava então aquele que estava fraco para que se repuzesse a batalha. Novamente, ela entrou em embate, desta vez indiretamente. Jogou-se ao lago e atingiu a base do mesmo com o bo, criando então sobre si quatro runas ao projetar a absorção elementar ao seu corpo. Após isso, uma forte flecha surgiu ao céu e caiu sobre o tentáculo, destruindo o mesmo em mil pedaços. Naquele instante, tudo ficou escuro, e novamente claro como a luz. Uma joia fora encontrada ao meio do oasis e então catada e guardada. As peças de ouro ao fundo brilhavam e desapareciam, e os pequenos bichos que tomaram conta da cidade passaram a tomar sua forma humanoide. Certamente, não seria nem a primeira nem a ultima vez que aquele tipo de coisa aconteceria, muito menos ali, mas ela estaria sempre pronta para outra.

O dia quase amanhecia para Aether e, a quantidade de pessoas salvas era descomunal. Para sua surpresa, um casal e uma criança surgiram gravemente feridos, entretanto o estado dos dois mais velhos era extremamente pior. Não falavam, apenas tinham o olhar de suplica para que o pequeno menino fosse cuidado. Sem nome, sem familia, apenas três anos, Aether o abraçou e o acolheu com sua luz, trazendo então essa clareza ao coração daquele que outrora fora engolido pelas sombras do inimigo, e então esse pequeno se chamou Jugo, o pequeno aprendiz de magia.


E assim veio a surgir uma familia para ele,
e então tudo sumiu: o desespero e a dor,
diante da aversão e do caos, um caminho ela criou,
e com todo o seu poder, ele recebeu o amor.

.

Jugo assim contou a sua história. Enquanto uns caiam ao sono, outros batiam palma entretidos e se colocavam ao dormir em suas barracas.
Na manhã seguinte, refletindo na história, em homenagem as suas mães nquele dia tão importante, as crianças passaram a plantar flores pelos jardins da guilda, trazendo beleza para que suas mães pudessem admirar, aquele era o minimo a se dar às mulheres fortes que os criaram, sejam sozinhas como a mãe do Huppermago ou com seu núcleo familiar – independentemente de sua formação. Aquele era o dia de comemorar pela pessoa mais importante para cada um deles, aquela que definitivamente não iria nunca deixá-los de lado ou os abandonar. Aquela fora a sua homenagem às mães.