Os contos da Taberna S1E03 A flecha da Cra.

CORVOS DE EFRIM, O lar dos guerreiros, a casa dos sonhadores

Bem vindos aos contos das taberna

TERCEIRO EPISÓDIO: A FLECHA DA CRA.

viva sem o perdão, ande sem a visão, mate sem pensar, sobreviva.

 

Os crocodilos cercavam a jovem que, com força, segurava o arco. Enquanto aquelas criaturas carregavam âncoras, os dedos da moça puxavam sutilmente flechas avermelhadas de sua aljava. Enquanto isso, a suas costas, uma Osamodas e uma Eniripsa permaneciam inconscientes, aquela era a chance da Cra de mudar a sua vida. O seu nome? (…)

Feyris? Feyris! Acorde! – Disse o Huppermago com um sutil sorriso ao canto do rosto. A Cra possuía seus dezesseis para dezessete, enquanto a criança apenas seus nove. – Jugo, para… – Disse em resmungos enquanto se virava na coberta. O garoto por sua vez não perdeu tempo, foi até a cozinha do chalé, pegou um balde de água e jogou na garota – ACORDA MARCELINA, NÃO GOSTA DE TOMAR BANHO, TOMARÁ AGORA! – Exclamou rindo consigo mesmo. O olhar flamejante fora lançado ao garoto que, imediatamente, fugiu do quarto.
Feyris estava a cuidar naquele dia de Jugo, visto que a mulher que outrora o adotou simplesmente desapareceu. A Cra por sua vez, conhecendo a história da moça decidiu tomar a criança aos seus braços, mesmo que temporariamente. Jugo, ao contrário do esperado, não estava triste, afinal, esperava ele pela volta daquela que o cuidou a cada dia, sem desistir ou perder as esperanças. O que ele não sabia era que aquele seria o ultimo dia da mesma.
A missão fora tomada, Feyris em meio aos Crá’s era conhecida como “A Rastreadora”, e a retribuir um favor, estaria ela a procurar a Huppermaga, uma das poucas de sua espécie assim como Jugo. A ultima pista encontrada fora a do Reino Sadida, e aquela explicava o motivo de ambos estarem naquele chalé. Onde Aether fora vista pela ultima vez? Próxima a Caverna de Amilkar, o Mulobo. Equipada com seu arco e vestimentas para caça, a jovem então pediu que Jugo permanecesse em casa até a noite, e naquele instante ela partiu. Ao assentir à donzela, o garoto retirou as mãos com os dedos cruzados em suas costas e passou a se arrumar. Colocou em sua cabeça uma pequena flor e vestiu-se com um sobretudo encapuzado escuro como a noite. Sutil? Seria, se não fosse dia. Cinco minutos depois que a garota partiu, o menor correu atrás de seu fino rastro deixado pelo dragocorcéu da jovem. Não tardou para que a floresta fosse alcançada e o rastro perdido. Jugo então pensou em procurar de uma forma diferente, quem sabe nos locais mais perigosos que pudesse, afinal, sabia que Aether gostava de encrenca, e mais, sabia que Feyris estava louca para se livrar da criança.
Enquanto o jovem procurava, a maior continuava sua jornada até alcançar a entrada da caverna da criatura. A noite começava a cair e via então que tinha pouco tempo. Adentrou-se ao local e, tudo o que viu fora o corpo da mulher delacerado ao canto e a criatura com seus orbes brilhantes e famintos. Fora da lua cheia? Pensou, e então os restos de um hidrante atrás da criatura foram detectados. Transpafrent… A Cra sacou a flecha e atirou uma explosiva contra a criatura. Quando a flecha fora acertar a mesma, sua velocidade se reduziu, e então o relógio do Xelor aparecia gravado a criatura: tudo ao redor da mesma em um alcance de um metro entrava em lentidão. O corpo do monstro se contorcia e maior ele ficava, entrando em seu estado de fúria. Feyris sacou seus dispositivos que formavam balizas e lançou-as ao campo, se não agisse rápido, poderia se prejudicar ainda mais, afinal, sozinha estava.
Jugo então perguntava aos Sadidas do local onde encontraria o Milobo. Muitas vezes a informação lhe fora negada, contudo um homem bêbado acabou por dar a informação para o garoto. Diante a corrida apressada, ao encontrar o local pôde ver Feyris pulando e atirando contra a criatura que, ferozmente a perseguia. O menor então entrou na caverna e, ao atravessar a primeira passagem que não tão longe ficava da entrada, viu melhor o salão no qual a arqueira lutava, não apenas isso, mas também o corpo de sua mãe. Os olhos da criança se arregalaram e então se tornaram brancos. O que estava acontecendo? Nem mesmo ele sabia. Feyris ao se distrair com o pequeno, levou uma patada que quebrou o seu arco, lançando-a para trás. O Mulobo então atacou a criança. Quando ela gritou, as garras da criatura chegaram ao alcance de Jugo, acertando então… O nada. O garoto recebeu uma runa de Ar e uma de Água a sua cabeça, teleportando-se para trás da criatura. Naquele instante, suas mãos se ergueram para cima, convocando então um relógio similar aos destroços deixados na sala, e fora uma rajada deste que desacelerou o monstro. Feyris utilizou de seu próprio Wakfu para criar um arco de pura energia, raspando os indicadores ao solo e absorvendo então parte da energia daquele lugar. A flecha puxada finalmente se tornou verde, e quando a mesma fora lançada, Jugo apareceu atrás da jovem. O caminho do projétil não demorou para ser encontrado e, finalmente, a criatura fora explodida em destroços de terra.
A Cra observou os olhos da criança voltarem ao normal e então o corpo largado e deformado. Faixas foram tiradas da bolsa e a mortalha da mulher enrolada e, naquele mesmo local queimada. Jugo havia perdido as esperanças pela primeira vez, e finalmente, quando achou que tudo estava perdido, recebeu ele um abraço. A dor se amenizava em seu coração enquanto as lágrimas percorriam seu rosto, estava ele cansado e precisava dormir. Com a Cra ele provavelmente não ficaria, mas estaria grato por ter descoberto a verdade.(…)

A flecha explosiva acertou o primeiro crocodilo. Uma luz, então atrás do mesmo surgiu com duas runas gravadas circulando o mesmo. O segundo crocodilo fora rápido e acertou a garota, empurrando-a para trás. Como se não fosse o suficiente, o mesmo pulou contra ela, pronto para acertar um golpe em sua cabeça. Naquele instante, o fogo fátuo foi consumido, trocando de local com Jugo, o Huppermago. Imediatamente o garoto agora com seus dezessete, se teleportou para a frente da garota ativando o escudo produzido totalmente pela brisa quadrimental. O ataque do inimigo fora absorvido e, Feyris viu sua brecha. Enquanto o monstro se via desnorteado, a explosiva corria em sua Golden Goose Slide Pas Cher direção, transformando então aquele corpo com vida apenas em uma carcaça. Bolsa de crocodilo? Certamente usariam. Os sorrisos foram trocados e, finalmente cada um pegou o seu caminho. Ela? Caçar com os lobos certamente iria, enquanto o jovem Huppermago permaneceria voar com os seus queridos Corvos.